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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Degustação de Cervejas Argentinas

Estive em Buenos Aires na semana passada (de 18-11 a 25-11) e como bom amante das cervejas, apesar das inúmeras recomendações de que a força porteña está em outra fermentação (a da uva em vinho), resolvi conhecer mais de perto a cena cervejeira em Buenos Aires.

Encontrei pouco material de referência, exceto o site do brejas (eterna referência) e o paraquevocerveja.blogspot.com, do Rodrigo Campos, que me deu dicas de alguns outros lugares interessantes para visitar.

Começamos pelo Buller (www.bullerpub.com), uma microcervejaria situada no bairro da Recoleta com fililal no centro, que foi onde conhecemos a casa. Pedimos o menu degustação com as 6 cervejas da casa "tiradas" (o mesmo que chopp pra nós). Dos 6 estilos bebidos (Pilsen, Weiss, Honey Beer, Oktoberfest, IPA e Stout), somente a Pislen e a Oktoberfest se destacaram, apresentando harmonia e características sensorias diferenciadas. A Pilsen, com um dulçor maltado e leve aroma de mel, remeteu a representantes brasileiras como a Backer Pilsen. A Oktoberfest chamou atenção por ser uma versão balanceada e com leve presença de malte da IPA oferecida, então, apesar de ser boa, não obedecia muito à proposta de ser uma Oktoberfest. As outras cervejas apresentaram defeitos desagradáveis que comprometeram a degustação, além de me darem o primeiro sinal amarelo para um fato que viria a se repetir nas próximas degustações: descuido na fabricação (ou limitação tecnológica) e pouca variedade de ingredientes na Argentina. Comemos um tira-gosto leve e repetimos (Eu, Polly e Pia) as nossas preferidas. A conta saiu cerca de 50 reais por pessoa.

Seguimos nessa mesma noite para o Kilkenny (www.thekilkenny.com.ar), um típico Pub do rock, com iluminação baixa, uma excelente banda ao vivo, um grande bar central e várias mesas com assentos almofodados. Lá eu provei a Grolsch (garrafa), uma Premium American Lager boa, remetendo a uma Bohemian Pilsner - devido à utilização de mais de um lúpulo na sua formulação e ao amargor um pouco mais presente que o normal - mas cara para o que oferece, sendo comparável a outras boas Lagers que possuem preço mais acessível e maior personalidade. Pia (chefe argentina da Polly, por isso nos encontramos lá!) foi de Negra Modelo, uma Vienna Lager que tem o dulçor característico do malte, puxando bem prum caramelo, tornando a sua degustação ótima! A escuridão da cerveja no copo nos levou a crer que era uma Dunkel, assim como as leves notas puxando para o torrado no conjunto, mas Vienna Lager cabe muito bem no estilo também, tendo um pouco mais de personalidade que uma típica Vienna. Polly foi de Warsteiner tirada, uma Pils alemã que na Argentina tem preços acessíveis e torna uma excelente alternativa à comuníssima Quilmes e à um pouco menos comum Stella Artois. Cada cerveja saiu a cerca de 15 reais por pessoa e foi só isso que bebemos ali.





No dia seguinte, fomos para a Cervelar (www.cervelar.com.ar), uma típica loja de cervejas artesanais, com longas estantes de madeira repletas de cerveja, decoração temática e algumas mesinhas para sentar e beber lá dentro alguns dos poucos chopps disponíveis e/ou a grande maioria dos rótulos à venda. A atendente, que parecia ser a proprietária, nos tratou muito bem (ficamos no bar conversando com ela) e parecia que não conhecia muita coisa de cerveja fora do seu país. Começamos (eu e Polly) pela Barba Roja Lager, com interessantes notas de mel e um corpo bacana devido à menor quantidade de filtrações que sofre no processo de sua fabricação. Apesar da característica mais doce e puxada pro malte, tem o retrogosto do lúpulo presente e discreto, tornando-a uma típica e boa Lager. Fui de Sixtofer IPA - já que falei e falei de novo do meu amor pelas IPAs e a atendente me garantiu que essa era uma das melhores dali - e realmente provei uma boa IPA, bem floral, bem harmônica e de um vermelho intenso bem bonito. Polly foi de Deleuzer Trippel, com bastante sabor de tutti-frutti e uma presença mais discreta de damasco. Cor acobreada e espuma persistente de pequenas bolhinhas, mostrando uma fermentação complexa. Bebemos tiradas da Kraken (IPA) e da Mula (Lager), que apresentou alguns defeitos como DMS e H2S e não apresentou o corpo, a espuma e a personalidade das em garrafa que degustamos. Mas, como estávamos emplogados com a boa descoberta do dia, resolvemos levar algumas para beber no quarto do hotel e descobrimos, mais tarde, que devíamos ter ficado com a boa impressão do bar...


Num outro dia a noite, fomos beber as cervejas que adquirimos no Cervelar, após um dia de caminhadas, e veio aí uma grande decepção. Tomamos alguns rótulos e a conclusão foi a que o fermento utilizado na Argentina não é dos melhores ou não é bem utilizado, porque a maioria dos rótulos nos forneceu um forte aroma de pão ou era mais voltado para o tutti-frutti (o mesmo da Trippel, que apareceu em 2 Dubbels de marcas diferentes, dando a entender que as Dubbels ali são versões mais brandas das Trippels, pois era exatamente isso que elas eram). Outra característica muito presente foi o forte gosto de cinzas em cervejas escuras que não eram Rauchbier, mostrando uma qualidade menor do malte ou uma limitação tecnológica na hora de torrar os maltes, deixando todas com o mesmo gosto final e persistente de cinzeiro, para nossa infelicidade. A única que salvou foi a Barba Roja Bock, que obedeceu fielmente ao estilo, apresentando notas suaves de torra (sem cinzas) e potente álcool e gosto de malte, uma delícia que vale a pena repetir.

Apesar de tudo, voltei com a boa sensação (rival da Argentina que somos, hehehe) de que nosso cenário cervejeiro está algumas décadas à frente do dos hermanos, para nossa alegria - pois ele está ainda engatinhando! Orgulho de ser brasileiro!

Um comentário:

  1. Perdemos para os hermanos nos vinhos, mas parece que estamos no 10 X 0 na breja! Vamos ver no futebol (pfff)...

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